Pois é... Hoje não vai ser a postagem mais feliz, mas com certeza uma das mais satisfatórias!!!
Chegou ao fim (pelo menos a parte que nos foi contada) de Avatar, fomos iniciados pela "Lenda de Aang", se fechar os olhos ainda consigo ouvir Katara dizendo: "Água, Terra, Fogo, Ar. Ha muito tempo as 4 nações viviam em paz e harmônia, até que a nação do fogo atacou. Apenas o Avatar (mestre dos 4 elementos) pode impedi-los, mas quando o mundo mais precisou ele desapareceu. 100 anos se passaram e meu irmão e eu encontramos o novo Avatar, um garoto dominador de ar chamado Aang, embora sua habilidade com o ar seja ótima ele ainda tem muito oque aprender antes de estar pronto para salvar o mundo. Mas eu acredito no Aang!" (adaptação livre da abertura de Avatar, o Ultimo dobrador de ar.). Uma obra que para ser plenamente apreciada se faz necessário, antes de mais nada, acabar com o estupido esteriótipo de que, se é animado é algo exclusivamente infantil! Afinal de contas desde o começo Avatar aborda temas como espiritualidade, mazelas de guerra, politica, poder, corrupção e vários outros temas nada infantis.
Graças as mentes brilhantes Bryan Konetzko e Mike DiMartino (Co-criado, Produtor Executivo e Diretor de Arte; Co-criador e Produtor Executivo; Respectivamente), acompanhamos uma jornada que teve uma duração de 9 anos começando com "Avatar: A Lenda de Aang" nos apresentando personagens cativantes com histórias e desenvolvimentos tocantes, um enredo extremamente bem trabalhado, assim como uma aproximação gigantesca com a cultura e filosofia oriental.Uma história que narra a tentativa de um grupo de jovens que deve assumir a responsabilidade de trazer paz e manter o mundo em equilíbrio. Mundo este onde algumas pessoas possuem a capacidade sobrenatural de dominar (ou também chamado "dobrar") 4 elementos, terra, fogo, água e ar, e que recentemente entrou em guerra.
Em alguns casos quebrando tabus e lidando com questões extremamente complexas de maneira tão sutil e sublime que, apesar de talvez mudar para sempre a maneira como obras infantis podem ser produzidas, nem se quer agride ou ofende até mesmo o mais puritano e conservador dos seres. Ou vai dizer que você nunca percebeu, por exemplo, a força dos personagens femininos dessa obra? Katara (única dobradora de água de todo o Polo Sul, que teve sua mãe assassinada, o pai abandonou o lar para lutar na guerra e nunca mais deu sinal de vida, se tornou responsável pelo seu irmão e sua avó e posteriormente teve que ganhar o mundo para melhorar como pessoa, dobradora e tentar curar o mundo), Toph (Herdeira de uma abastada e influente família do Reino da Terra, porem cega, mas que mesmo assim se torna a mais poderosa dobradora de terra já existente, a primeira dobradora de metal e a mestra mais jovem que um Avatar já teve), Azula (filha do Senhor do Fogo Ozai, consegue utilizar uma das dobras de fogo mais refinadas e mortais que existe, o fogo azul, e ainda conseguiu dominar a dobra de raio, tornando-se também Senhora do Fogo) e Suki (Líder de um grupo de guerreiras que foram criadas por uma das avatares antepassadas,Kyoshi, demonstra que um leque é bem mais que um simples adereço ou acessório) são apenas alguns exemplos da força que possui a presença feminina.A mistura de elementos modernos e rudimentares alinhados com uma trilha sonora contagiante e a presença constante da espiritualidade foram, com certeza fatores decisivos para o avassalador sucesso da história sobre o garoto com uma seta na cabeça.
Sucesso este que trouxe respaldo para uma continuação e novas, porem arriscadas, maravilhas. A continuação é intitulada "Avatar: A Lenda de Korra." e narra os fatos ocorridos com a Avatar sucessora de Aang, Korra, mais uma vez somos apresentados a personagens fantásticos, Bolin é sem dúvida (para mim) o melhor personagem já feito por eles, e todos possuem um desenvolvimento sem igual, bem como a desfechos e falhas que alguns dos antigos heróis tiveram.
Apesar de não ser ambientada em nosso mundo é inegável a influencia étnica oriental existente sobre a obra e dessa vez temos uma heroína que foge do esteriótipo caucasiano, delicada e gentil. Apesar de não existir uma definição para sua cor (inclusive em NENHUM momento da obra a cor da pele de ninguém é se quer comentada como sendo algo minimamente relevante) ela não é nenhum floco de neve e também é uma mulher forte, corajosa e impetuosa, se Você acha que ela é a única, esta enganado! A animação esta repleta de mulheres assim, algumas inclusive são mães e avós (a quebra de tabus continua).
Por trazer esses elementos e apresentar no fim de sua primeira temporada a morte do principal vilão daquele momento, Amon, (sim, aqui o vilão também morre as vezes) os produtores enfrentaram sérias resistências por parte da emissora que aliados ao vazamento de episódios fez com que o seu horário de exibição fosse alterado e posteriormente as ultimas duas temporadas "fossem ao ar" apenas online, a parte boa é que a internet trata-se de um ambiente mais livre e os autores poderiam inovar ainda mais.
Política e religião nunca são assuntos fáceis de serem tratados, principalmente em programas infanto-juvenis, mas A Lenda de Korra nunca se acanhou diante de paradigmas modernos e, se usando de alegorias, aproximou a discussão sobre armas de destruição em massa, transtorno de estresse pós-traumático, totalitarismo, imperialismo e muito mais, sem contar que a espiritualidade, marca extremamente presente na obra, em momento algum se prende a religiosidade ou cultismo, Korra não força ninguém a religião alguma, mas sim tende a demonstrar a importância do equilíbrio e da consciência.
O desfecho dessa obra quebrou mais alguns paradigmas arraigados em nossa cultura e pode vir a levantar grandes discussões. Enfim, Vale a pena assistir a cada segundo dessa incrível obra, que deve ser protegida e guardada para as gerações futuras.

Que Raava nos dê forças e;
Com dobra de gel e jeito não tem buraco estreito!




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